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Crise modifica comportamento do consumidor de joia
Por Patricia Gaspar
http://www.gestaodoluxo.com.br
PARA COMPRAR JOIAS DURANTE A CRISE, O CONSUMIDOR PRECISA DE UM BOM MOTIVO OU DE UMA BOA DESCULPA.
A ainda frágil economia mundial está forçando o mercado de joias a se adaptar. No segmento premium, o consumidor que antes comprava por impulso e por modismos, hoje está comprando joias de forma mais racional e em ocasiões especiais. Já no segmento do luxo, existem dois perfis de consumidores: aqueles que encontram na crise um bom motivo para investir em diamantes grandes e aqueles que compram jóias raríssimas de coleções limitadas, para não perderem uma oportunidade única.
No segmento premium, as joias que seguem as tendências de moda estão perdendo espaço para aquelas que representam o melhor equilíbrio entre estilo e qualidade. Segundo os varejistas, o consumidor quer entender como a peça foi feita e ter certeza sobre a qualidade da matéria prima.
Neste segmento, o preço acessível é um fator crítico. Antes da crise se agravar, os preços no segmento premium começavam em US$ 2 mil. Hoje, o preço de entrada está em US$ 500. Muitas joalherias optaram por ampliar a linha de peças em prata e utilizar a pérola, que remete a um estilo atemporal.
Já no segmento da alta joalheria, diante de consumidores que precisam encontrar um bom motivo para comprar uma joia de luxo, o segredo é desenvolver produtos que falem alto à razão ou à emoção. Falar à razão é desenvolver joias que valorizam o quilate das pedras para atrair o consumidor com perfil de investidor, que procura uma forma de diversificar seus investimentos em tempos de crise. Falar à emoção é seduzir o consumidor com perfil de colecionador, desenvolvendo coleções limitadas com peças super elaboradas e exclusivas.
A joalheria inglesa Graff, conhecida por desenvolver joias a partir de pedras de altíssimo valor, confirma a primeira tendência dizendo que desde o início da crise suas lojas estão vendendo somente “peças importantes”.
Já a Van Cleef & Arpels, conhecida pelas coleções temáticas e pelo design elaborado das peças, é uma das joalherias mais desejadas pelos colecionadores apaixonados por joias e que não querem perder uma oportunidade. A joalheria desenvolveu recentemente uma coleção de quatro broches inspirados na obra “As quatro estações” do compositor Antonio Vivaldi.
A Chanel tem uma visão semelhante do segmento da alta joalheria. “A pedra é como uma commoditie. A Chanel prefere vender a criação da peça”, disse Benjamin Comar, diretor do segmento de joias da grife.
Por outro lado, as marcas que transitam no meio termo e não possuem muito apelo entre estes dois perfis de consumidores, continuam sofrendo com uma demanda que está recuperando a confiança ao poucos. Apesar de uma discreta recuperação no segundo semestre, o setor deverá fechar o ano de 2009 com resultados negativos.